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Guilherme Sampaio

Há datas que não pertencem apenas ao passado, pertencem ao carácter de uma nação. O 25 de Novembro de 1975 é uma dessas datas. Cinquenta anos depois, continua a ser uma referência essencial para compreender o que somos e o caminho que escolhemos seguir: o da liberdade, da moderação e da democracia liberal.

Após o 25 de Abril, Portugal viveu um período de intensa transformação política e social. O fim de quase meio século de ditadura abriu as portas à esperança e à participação cívica, mas trouxe igualmente radicalismo e incerteza. O país encontrava-se dividido entre projetos políticos profundamente distintos. De um lado, estava a vontade de consolidar uma democracia representativa e aberta. Do outro lado surgia um conjunto de forças formado por unidades militares influenciadas pelo PCP e por correntes da extrema-esquerda revolucionária, que pretendiam instaurar em Portugal um regime autoritário comunista.

O ano de 1975 foi, por isso, uma encruzilhada histórica. As nacionalizações e as ocupações de terras multiplicavam-se, os saneamentos políticos alimentavam tensões e as lutas sindicais intensificavam-se. O poder militar encontrava-se fragmentado em fações ideológicas com projetos incompatíveis, e a crescente instabilidade ameaçava transformar-se em conflito aberto.

Foi neste contexto que, no dia 25 de novembro de 1975, ocorreram operações militares lideradas por António Ramalho Eanes e Jaime Neves, figuras centrais na intervenção das forças moderadas para travar a escalada radical. Embora existam divergências quanto aos pormenores e aos vários comandos envolvidos, é consensual que essas operações permitiram manter o controlo institucional e evitar um desfecho com potencial para desencadear uma guerra civil e, posteriormente, uma ditadura de extrema-esquerda.

O que esteve verdadeiramente em causa nesse dia não foi uma disputa convencional entre correntes políticas, mas o futuro da liberdade em Portugal. De um lado, encontrava-se a defesa da democracia, assente no Estado de Direito e na legitimidade eleitoral. Do outro, situava-se um projeto que pretendia substituir a democracia liberal por uma orientação revolucionária centralizada, capaz de condicionar a própria vontade do povo, tirando-lhe a sua liberdade.

O 25 de Novembro não contrariou a promessa do 25 de Abril. Reforçou as condições necessárias para que a liberdade inaugurada em abril pudesse desenvolver-se com estabilidade institucional, afastando simultaneamente o risco de regressão autoritária e a possibilidade de um novo autoritarismo. Foi graças a esse desfecho que Portugal pôde avançar para a democracia constitucional de 1976 e, mais tarde, integrar-se plenamente no espaço europeu.

É precisamente por isso que esta data deve ser celebrada e preservada na memória coletiva. Foi nesse dia que Portugal rejeitou qualquer forma de autoritarismo, independentemente do seu disfarce, e escolheu a via da moderação, da responsabilidade e do pluralismo político. Celebrar o 25 de Novembro é reconhecer que a liberdade, para subsistir, necessita de instituições fortes, de limites e de compromisso cívico. É compreender que a democracia não se defende apenas com palavras, mas também com coragem e ambição.

Infelizmente, existem pessoas que preferem o silêncio em torno deste acontecimento. Por razões ideológicas ou por desconforto perante a complexidade do período revolucionário, tenta-se por vezes reduzir o 25 de Novembro a um episódio menor da história da democracia. Essa leitura não só distorce a realidade histórica, como ignora a diversidade de motivações e ideais que marcaram a época. Esquecer esta data seria uma injustiça para com todos os que, nesse momento decisivo, garantiram a preservação da liberdade e de uma democracia liberal.

Hoje, num mundo novamente marcado por tentações autoritárias, populismos ruidosos e discursos de intolerância, o 25 de Novembro assume renovada importância. Recorda-nos que a democracia não é um dado adquirido, mas uma construção permanente. Ensina-nos que o multipartidarismo é uma força, não uma fragilidade, e que o extremismo, venha de onde vier, constitui sempre uma ameaça à democracia.

Cinquenta anos depois, celebrar o 25 de Novembro é, acima de tudo, um ato de lealdade à liberdade. A liberdade que protege o indivíduo, garante o direito à diferença e sustenta a dignidade da vida em sociedade. Enquanto essa memória persistir, lúcida, crítica e viva, Portugal continuará a ser, verdadeiramente, um país livre!

Artigo publicado em FINK – FEP Ideas, News & Knowledge, 21 de novembro de 2025

A história conta que tudo começou num hemiciclo parisiense. Em 1789, na Assembleia Constituinte da França, os partidários do rei sentaram-se à direita do presidente, enquanto os defensores da revolução se colocaram à esquerda. Robespierre, Mirabeau, Danton – os chamados les enragés – simbolizavam o lado da mudança. À direita, os les monarchistes, guardiões da ordem antiga. Foi daí que nasceram as etiquetas políticas que ainda hoje usamos: “direita” e “esquerda”.

Mais de dois séculos depois, o mundo mudou, mas o vocabulário político ficou preso ao passado. Continuamos a medir o pensamento político com a régua de 1789, como se as ideias pudessem caber em dois bancos de madeira. O rei já não existe, a sociedade é infinitamente mais complexa, e as fronteiras ideológicas dissolveram-se.

Durante o século XX, a dicotomia ainda fazia algum sentido: a esquerda identificava-se com a luta pelos direitos sociais; a direita, com a defesa do mercado e da iniciativa privada. Mas hoje, essa linha é cada vez mais ténue. Quem defende o mérito e a livre iniciativa pode, ao mesmo tempo, lutar pela igualdade de oportunidades. E quem valoriza a solidariedade pode acreditar que o Estado não deve substituir-se às pessoas, mas sim criar as condições para que cada uma possa escolher e prosperar.

O verdadeiro debate do nosso tempo não é entre “direita” e “esquerda”, mas entre liberdade e controlo. Entre quem confia nas pessoas e quem acha que elas precisam de tutela. Entre quem acredita que o progresso nasce da autonomia individual, seja na ciência, na economia ou na arte, e quem insiste em limitar o que é permitido pensar, criar ou empreender.

A liberdade não é um conceito político: é uma atitude. Ser livre é pensar por si próprio, sem medo de ir contra o senso comum. É aceitar que o outro possa viver de forma diferente. É acreditar que as ideias competem num mercado aberto, e que o mérito, a inovação e o esforço devem ser recompensados.

Hoje, o desafio não é escolher um lado do hemiciclo, mas recusar as amarras mentais que nos fazem acreditar que só há dois lados. O mundo precisa de menos dogmas e mais liberdade. Liberdade nas ideias, no pensamento, na economia e na política.

As etiquetas serviram o seu tempo, mas agora são um obstáculo. Continuar a ver o mundo em “direita” e “esquerda” é como tentar navegar com mapas usados por Pedro Álvares Cabral num oceano digital. O futuro pertence aos que pensam livremente – não à direita, nem à esquerda, mas acima.

Artigo de Opinião publicado no Jornal O Louzadense nº 157, de 20 de Novembro de 2025

Os jovens de hoje nasceram a ouvir falar de oportunidades, inovação e futuro. Mas à medida que cresceram, perceberam que essas palavras nem sempre se traduzem em realidade. Encontram obstáculos onde esperavam caminhos, rendas impossíveis onde procuravam independência, e uma sensação constante de que o seu esforço vale menos do que devia.

Não é desinteresse o que se sente – é desilusão. E é natural. Mas a desilusão não pode ser desculpa para desistir. Porque se há algo que a História ensina, é que quando os jovens se afastam, o sistema acomoda-se. E nada muda.

Participar na vida cívica é o primeiro passo para mudar o rumo das coisas. Não é preciso fazer parte de um partido, mas é preciso ter voz. Questionar, propor, intervir. É assim que se constrói uma sociedade mais justa e dinâmica.

A política não deve ser um espaço reservado a quem grita mais alto, mas a quem pensa diferente. É tempo de devolver-lhe esse sentido: o da responsabilidade, do mérito e da liberdade de escolher o próprio caminho. São valores simples, mas poderosos. E são esses valores que podem devolver aos jovens a confiança de que o futuro lhes pertence.

Portugal – e Lousada – precisam dessa energia. Precisam de uma geração que não aceite o “sempre foi assim”. Que queira fazer melhor, com cabeça levantada e ideias próprias.

Porque o futuro não é um prémio que se recebe. É um projeto que se constrói. E começa quando alguém, mesmo sem certezas, decide acreditar. Quando um jovem escolhe agir, nasce mudança. E com ela, renasce a esperança.

Artigo publicado no Jornal O Louzadense, Edição 156, de 06 de Novembro de 2025

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José Morais Sousa

As eleições autárquicas de 2025 confirmaram algo que a Iniciativa Liberal já intuía: Portugal está a mudar. O eleitor começa, finalmente, a votar em função da competência, da integridade e do projeto — e menos por fidelidade partidária. O crescimento liberal, que triplicou o número de autarcas e conquistou nove vereadores em todo o país, mostra que há espaço político para quem acredita na liberdade e na responsabilidade individual como motores da boa governação.
Nas autárquicas, o foco é a pessoa. O cidadão vota em quem conhece, em quem resolve, em quem representa a comunidade mais do que uma sigla. Essa natureza pessoal e direta das eleições locais espelha um valor profundamente liberal: a proximidade e a autonomia. O poder local é o primeiro campo de exercício das ideias liberais — menos burocracia, mais transparência, mais eficiência. E é justamente essa dinâmica individualista e reformista que pode iluminar o caminho para as presidenciais.
Porque, se as autárquicas decidem quem gere o território, as presidenciais decidem quem inspira a nação. E nesse contexto surge João Cotrim de Figueiredo — gestor, empresário, ex-líder da Iniciativa Liberal e atual eurodeputado — que anunciou a sua candidatura a Presidente da República em agosto deste ano, com o propósito de ser “um farol de referência” para o país. Um Presidente que não tutela, mas inspira; que não concentra poder, mas o difunde; que acredita que a liberdade individual é o melhor antídoto contra o populismo e o conformismo.
Cotrim carrega um percurso que é, por si só, uma lição de coerência. Da London School of Economics à liderança da IL, passando pelo Turismo de Portugal e pelo Parlamento Europeu, a sua carreira combina gestão e visão estratégica, serviço público e independência intelectual. É um político que não vem da política — um “político acidental”, como o próprio se define no livro Porque Sou Liberal — e isso é precisamente o que o torna a escolha natural para quem quer modernizar a política portuguesa sem a confundir com partidarismo.
O avanço liberal nas autárquicas e a candidatura de Cotrim às presidenciais não são fenómenos paralelos: são faces da mesma transformação. Ambas refletem o nascimento de uma nova cultura democrática — baseada no mérito, na independência e na liberdade. Um Portugal em que as pessoas voltam a acreditar que a política pode ser feita sem amarras, que os mandatos são de serviço e não de poder.
Se as autárquicas mostraram que o cidadão já escolhe quem faz, as presidenciais podem provar que o país está preparado para escolher quem representa — sem dogmas, nem caciques, nem promessas de tutelar a sociedade. João Cotrim de Figueiredo diz que quer ser um “farol” para Portugal; e talvez este seja o momento em que o país, cansado de sombras, esteja pronto para procurar essa luz.

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Guilherme Sampaio

Entrada: A saúde é mais do que a ausência de doença: é a condição que  possibilita o exercício pleno da liberdade e da cidadania. Partindo das ideias de Norman Daniels, importa compreender por que razão o acesso tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde constitui um requisito de justiça.

Apesar dos notáveis avanços nas últimas décadas, ainda existem países desenvolvidos onde o Estado não assegura um sistema universal de saúde. O exemplo mais evidente é o dos Estados Unidos, onde uma parte significativa da população continua dependente de seguros privados ou de programas públicos restritos. Esta realidade contrasta com a opção de muitas outras democracias que, reconhecendo a importância da saúde para a justiça social, construíram sistemas que asseguram a todos o acesso a cuidados essenciais. É neste debate mais amplo que a reflexão filosófica se torna decisiva, ajudando a clarificar por que razão a saúde não pode ser tratada como um bem qualquer.

Entre os pensadores que mais contribuíram para esta reflexão encontra-se o filósofo norte-americano Norman Daniels, que defende que a saúde ocupa um lugar especial na teoria da justiça. Inspirado por John Rawls, Daniels argumenta que a justiça exige não apenas direitos formais, mas condições efetivas para que cada pessoa possa usufruir de oportunidades reais na vida. A saúde é central nesse processo: sem ela, o leque de opções de cada indivíduo fica severamente limitado.

No livro Just Health Care (1985), Daniels escreve que “a doença e a incapacidade restringem o intervalo normal de oportunidades de um indivíduo”. Esta frase simples encerra uma intuição poderosa: quando alguém está doente, não perde apenas bem-estar físico, perde também a capacidade de competir, de estudar, de trabalhar, de participar plenamente na vida social. O conceito de “intervalo normal de oportunidades” funciona, assim, como critério de justiça. Representa um conjunto de possibilidades de vida que uma pessoa razoavelmente pode esperar, tendo em conta as suas capacidades e as condições sociais do seu tempo. A doença encurta esse intervalo, limitando de forma arbitrária aquilo  que cada um pode alcançar. Por isso, um sistema justo não pode permitir que o acesso a cuidados básicos dependa apenas da capacidade económica de cada um.

Mais tarde, em Just Health: Meeting Health Needs Fairly (2008), Daniels e James Sabin desenvolvem a mesma ideia: “a saúde é de importância moral especial porque afeta as oportunidades que os indivíduos têm para levar vidas normais.” Proteger a saúde, neste sentido, não é nivelar todos por baixo ou garantir destinos iguais, mas assegurar que nenhum indivíduo é privado, por falta de cuidados, do mínimo de oportunidades necessárias para desenvolver os seus talentos e projetos. O objetivo é que cada pessoa parta de uma linha de base justa, onde a saúde não seja a barreira que define quem consegue ou não aproveitar as oportunidades oferecidas pela sociedade.

A reflexão de Daniels permite também perceber que a saúde não é apenas mais um setor de políticas públicas, mas um verdadeiro alicerce da vida em comunidade. Quando um sistema garante a todos o acesso a cuidados essenciais, não está apenas a prevenir doenças ou a prolongar a esperança de vida. Está a criar condições para que cada cidadão possa participar plenamente na sociedade, estudar, trabalhar e contribuir com as suas capacidades. A ausência de um acesso equitativo não gera apenas sofrimento individual: corrói a coesão social, alimenta desigualdades persistentes e retira a confiança nas instituições. Assim, a saúde deve ser entendida como um investimento coletivo na própria vitalidade democrática,  e não apenas como uma mera prestação de serviços.

Outro aspeto relevante na obra de Daniels, embora menos citado, é a preocupação com a escassez de recursos. Mesmo reconhecendo que a saúde deve ser acessível a todos, o filósofo insiste na necessidade de critérios transparentes para a definição de prioridades. Com Sabin, propôs o modelo de accountability for reasonableness, que procura dar legitimidade a escolhas difíceis. Esse modelo assenta em quatro condições: em primeiro lugar, as decisões devem ser públicas e os seus fundamentos claramente explicados; em segundo lugar, os critérios usados precisam de ser considerados relevantes e razoáveis por cidadãos com diferentes perspetivas; em terceiro lugar, deve existir possibilidade de revisão e de recurso, permitindo corrigir erros ou injustiças; por fim, é necessária uma forma de supervisão para assegurar que estas regras são cumpridas de facto. O princípio central é que, mesmo quando não é possível satisfazer todas as necessidades, as escolhas sejam vistas como justas porque foram tomadas de forma aberta, racional e sujeita a escrutínio.

É neste ponto que a reflexão filosófica se cruza com a experiência prática. Países que optaram por sistemas de saúde tendencialmente gratuitos colheram benefícios não apenas em termos de justiça social, mas também de eficiência. A prevenção e o tratamento precoce revelaram-se menos onerosos do que lidar com doenças em estado avançado. Ao mesmo tempo, uma população saudável contribui mais para a economia e necessita de menos apoios sociais. A lógica da gratuidade parcial ou tendencial, longe de ser um fardo irracional, traduz-se em investimento de longo prazo.

É certo que subsistem desafios importantes. A evolução tecnológica faz crescer custos, a demografia pressiona a sustentabilidade, e as expectativas dos cidadãos tornam-se cada vez maiores. Mas esses problemas não invalidam o princípio central: uma sociedade que se pretende justa deve proteger o acesso de todos a cuidados essenciais. As formas concretas de prestação — pública, privada ou mista — podem variar consoante a visão ideológica e os recursos de cada país. O que não pode variar é o compromisso com a ideia de que ninguém deve ver as suas oportunidades destruídas por falta de cuidados de saúde.

Ao fim de várias décadas de reflexão, a contribuição de Norman Daniels ajuda a compreender por que razão esta exigência é mais do que uma aspiração moral: é uma condição estrutural da própria justiça. Quando a saúde é garantida, a liberdade individual deixa de ser privilégio de alguns e transforma-se em direito de todos. Esse é o verdadeiro significado de defender uma saúde tendencialmente gratuita: não como um favor do Estado, mas como expressão concreta de uma sociedade que leva a sério os seus próprios princípios de liberdade e igualdade.

José Morais Sousa

Há concelhos em Portugal onde o poder parece não mudar, onde a alternância democrática se transformou num conceito distante, quase teórico. Lousada é um desses casos. Décadas de domínio autárquico por parte do Partido Socialista moldaram uma realidade política e social que já poucos questionam – uma normalidade construída sobre a continuidade, a dependência e a ausência de verdadeira escolha. É tempo de refletirmos sobre o que isso significa para a nossa comunidade, para a nossa liberdade e para o futuro do concelho.

A ilusão da estabilidade

É fácil confundir estabilidade com progresso. O argumento é repetido à exaustão: “Lousada é bem gerida, por isso não há razão para mudar.” No entanto, a estabilidade que nasce da falta de alternância não é um sinal de boa governação – é um sintoma de poder concentrado, pouco escrutinado e demasiado confortável. Quando o mesmo grupo político ocupa o poder durante décadas, cria-se inevitavelmente uma teia de dependências, favores e silêncios que acabam por sufocar a crítica e a inovação.

Em Lousada, o poder local foi-se tornando uma extensão quase natural de determinadas famílias e estruturas partidárias. Muitos cidadãos sentem que o destino político do concelho já está decidido à partida, que as eleições servem mais para confirmar do que para escolher. Este sentimento, profundamente antidemocrático, mina a confiança dos cidadãos nas instituições e afasta as pessoas da participação cívica.

O custo invisível do domínio prolongado

Quando o poder fica demasiado tempo nas mesmas mãos, instala-se uma cultura de obediência e de gratidão. Há quem evite falar, quem se abstenha de criticar, quem prefira “não se meter em política” para não correr riscos. É o chamado poder difuso: não precisa de impor medo explícito, porque o próprio sistema social o faz por ele.

O resultado é uma economia local muitas vezes dependente da autarquia, associações que vivem da boa vontade do executivo, e cidadãos que confundem o apoio público com favor pessoal. Esta dependência trava o espírito empreendedor, enfraquece a sociedade civil e torna o concelho refém da política.

Não se trata apenas de uma questão partidária — trata-se de liberdade. Quando as pessoas têm receio de se expressar ou de propor alternativas, a democracia deixa de ser viva e passa a ser ritual.

A ausência de debate e a cultura do conformismo

O poder prolongado tem outro efeito: a erosão do debate público. As assembleias municipais transformam-se em meros rituais formais, as críticas são vistas como “ataques” e as vozes dissonantes são marginalizadas. A cultura política de Lousada habituou-se a uma lógica de unanimismo: quem discorda é inimigo, quem questiona é ingrato.

Mas a crítica não é destrutiva — é essencial. Só através do confronto de ideias é que nasce o progresso. O medo da mudança e a idolatria do “que está feito” são sinais de estagnação. O concelho precisa de políticos que não tenham medo de serem questionados e de cidadãos que não tenham medo de questionar.

O papel da Iniciativa Liberal

A Iniciativa Liberal surge precisamente para quebrar este ciclo de conformismo e dependência. Em Lousada, defendemos uma política que devolva o poder às pessoas — não ao Estado, não aos partidos, não às famílias políticas. Queremos um concelho onde cada cidadão possa prosperar pelo seu mérito, sem depender de favores nem de filiações partidárias.

O liberalismo é, antes de tudo, uma filosofia de confiança nas pessoas. Confiamos que os lousadenses são capazes de decidir por si próprios, de criar valor, de inovar e de transformar o concelho se lhes dermos liberdade e condições justas. A autarquia deve ser um facilitador, não um dono do território.

Mais transparência, menos clientelismo

É preciso romper com o modelo de governação que confunde serviço público com rede de contactos. Transparência não é apenas publicar contas — é explicar decisões, abrir concursos de forma justa, divulgar critérios e permitir o escrutínio. É garantir que o acesso a oportunidades públicas não depende de quem se conhece, mas do que se vale.

Em Lousada, o desafio é criar uma cultura de meritocracia e de responsabilidade. Isso implica reformar processos, mas também mentalidades. É hora de acabar com a ideia de que “as coisas sempre foram assim”. As coisas podem — e devem — ser diferentes.

Lousada tem potencial para mais

O concelho tem um capital humano notável: jovens qualificados, empreendedores criativos, associações dinâmicas e uma localização privilegiada. No entanto, falta liberdade para essas energias florescerem. Falta um ambiente político que valorize a autonomia das pessoas e das instituições, que incentive a inovação em vez de a controlar.

Uma autarquia liberal investiria em desburocratizar, em criar condições para o investimento privado, em simplificar regulamentos e em promover parcerias com o setor social e empresarial. A ideia não é o Estado fazer tudo — é o Estado permitir que todos possam fazer.

Mais cidadania, menos resignação

A mudança em Lousada não acontecerá por decreto, nem apenas nas urnas. Começa no pensamento crítico de cada cidadão, na coragem de questionar, de participar, de exigir mais. O verdadeiro poder democrático nasce da cidadania ativa — não do silêncio, não do conformismo.

É tempo de Lousada respirar democracia. De abrir as janelas da participação, da transparência e da alternância. De perceber que mudar não é um risco — é uma necessidade vital.

Um novo ciclo para Lousada

A Iniciativa Liberal propõe um novo ciclo político e cívico para o concelho: baseado na liberdade individual, na responsabilidade e na transparência. Queremos devolver o poder às pessoas e acabar com o mito de que só há uma forma de governar.

Um ciclo em que o mérito substitua o favor, em que o debate substitua o silêncio, e em que a alternância substitua o hábito.

Lousada não pode ser um feudo político. Tem de ser uma comunidade viva, aberta, onde todos tenham voz e oportunidade de contribuir. A mudança não é um capricho — é uma condição para o progresso.

Conclusão: o futuro começa quando dizemos basta

Durante demasiado tempo, fomos levados a acreditar que mudar seria perigoso, que a estabilidade é mais importante do que a liberdade. Mas a história mostra o contrário: as sociedades mais prósperas são as que confiam nas pessoas, nas suas ideias e na sua capacidade de inovar.

Lousada tem tudo para ser um exemplo de modernidade e de vitalidade democrática. Mas para isso, é preciso coragem — coragem para dizer que o poder não pode ser monopólio de ninguém, coragem para acreditar que a política local pode ser feita de forma diferente, e coragem para começar essa mudança já.

É tempo de Lousada respirar democracia.

Guilherme Sampaio

As câmaras municipais e juntas de freguesia são o espaço onde o Estado está mais próximo dos cidadãos. São as instituições que deveriam resolver os problemas do dia-a-dia, garantir serviços básicos de qualidade e dar voz às comunidades. Contudo, a realidade mostra-nos que o poder local em Portugal continua marcado por vícios antigos e por práticas que limitam a sua eficácia e diminuem a confiança das populações.

O primeiro problema é a excessiva permanência dos mesmos líderes políticos. Há partidos que se mantêm há décadas no poder, muitas vezes pessoas da mesma família, transformando as eleições locais numa formalidade sem verdadeira concorrência. Esta continuidade prolongada gera rotinas de poder, dificulta a renovação democrática e transmite a sensação de que nada muda. Em muitas freguesias o fenómeno é ainda mais evidente: presidentes que se eternizam nos cargos, muitas vezes sem oposição ou com candidaturas meramente simbólicas. O resultado é um poder local fechado sobre si próprio, pouco permeável a novas ideias e pouco atrativo para novas gerações de autarcas.

A isto soma-se uma burocracia sufocante. Em pleno século XXI, ainda é frequente que um cidadão tenha de perder dias ou meses para tratar de assuntos simples numa câmara ou freguesia. A digitalização existe, mas é desigual, e a cultura administrativa continua presa a formalismos inúteis. Em vez de facilitarem a vida às pessoas, muitas autarquias ainda são vistas como um obstáculo, o que alimenta a perceção de que “a câmara se serve a si própria” em vez de servir os munícipes.

Outro ponto crítico é a gestão dos recursos públicos. Não raras vezes, as prioridades são definidas em função do calendário eleitoral e não das necessidades reais da população. Multiplicam-se obras de grande visibilidade — rotundas decoradas, parques urbanos “inovadores”, eventos de propaganda — enquanto problemas estruturais, como a habitação, os transportes ou a manutenção de infraestruturas, continuam por resolver. Pior: existem freguesias a trabalhar com orçamentos tão reduzidos que mal conseguem assegurar os serviços mínimos, enquanto outras gastam recursos em iniciativas de duvidosa utilidade.

A transparência na gestão continua a ser uma promessa por cumprir. A proximidade entre decisores locais e cidadãos deveria ser um antídoto contra abusos, mas, na prática, muitas vezes abre espaço a favoritismos. As adjudicações de contratos, os licenciamentos urbanísticos e até a distribuição de apoios a associações locais são frequentemente alvo de suspeitas. Nas freguesias, onde o escrutínio é ainda mais reduzido, essa proximidade pode transformar-se em compadrio. Os mecanismos de fiscalização existem, mas são frágeis, e em muitos casos o silêncio substitui o debate público.

Existe ainda a questão da profissionalização dos quadros autárquicos. Enquanto algumas grandes câmaras têm meios para recrutar técnicos qualificados, muitos municípios mais pequenos vivem com equipas envelhecidas e falta de competências específicas. Isto compromete a capacidade de planeamento e execução de políticas eficazes, criando um círculo vicioso: onde há menos recursos humanos e técnicos, há também menos capacidade de atrair investimento e menos qualidade de governação.

Finalmente, o desinteresse dos cidadãos em participar na vida autárquica é, ao mesmo tempo, causa e consequência destes problemas. Apesar de existirem mecanismos formais de participação, como orçamentos participativos ou assembleias locais, a maioria das pessoas não acredita que a sua voz tenha impacto. E, de facto, muitas vezes não tem. O poder local funciona numa lógica demasiado fechada, onde poucos decidem por muitos, e onde a população acaba por ser chamada apenas de quatro em quatro anos para legitimar lideranças que raramente mudam. Em suma, o poder autárquico em Portugal sofre de um mal crónico: confunde proximidade com rotina, estabilidade com imobilismo e representatividade com perpetuação de lideranças. Enquanto as câmaras e freguesias não forem capazes de se abrir a novas ideias, de simplificar processos, de gerir recursos com seriedade e de envolver verdadeiramente os cidadãos, continuarão a ser vistas como parte do problema e não como parte da solução. O Estado local precisa urgentemente de um choque de transparência, eficiência e renovação. Sem isso, a democracia de proximidade não passará de um mito.

A mudança não é apenas uma palavra bonita: é uma necessidade real. Quando os mesmos rostos ocupam o poder durante demasiado tempo, instala-se um ciclo repetitivo: anunciam-se obras, mas falha a visão de conjunto. Surgem projetos que até podem ser importantes, mas continuam a faltar respostas estruturais em áreas decisivas como o emprego qualificado, os transportes, a habitação ou os serviços públicos de proximidade. É nesse ponto que estamos.

Mudar não é apenas trocar nomes ou símbolos; é repensar prioridades, trazer novas perspectivas e quebrar rotinas instaladas. Essa mudança só se torna possível quando existe confiança.

Confiança não se conquista com discursos fáceis, mas com seriedade e transparência. Ao longo dos anos, essa confiança foi sendo minada por uma governação demasiado focada no imediato, sem planeamento sólido para o futuro. Sim, houve obras. Mas obras avulsas não são sinónimo de estratégia. Uma comunidade precisa de mais do que tijolo e betão: precisa de visão, de ambição e de um rumo claro para as próximas gerações.

É por isso que a rotação no exercício do poder é essencial. Alternância não é capricho, é saúde democrática. É a forma de evitar acomodações, dependências e falta de escrutínio. Só com mudança real se renovam as ideias, se quebram rotinas instaladas e se abrem soluções diferentes para problemas que continuam por resolver. O verdadeiro risco não está em mudar, mas sim em deixar tudo ficar na mesma.

E convém lembrar: confiança não se alimenta de atalhos populistas. Nem sempre existem respostas fáceis, nem sempre as decisões certas são as mais populares. Mas é na honestidade – dizer a verdade, mesmo quando é incómoda – que assenta qualquer relação de confiança duradoura.

A verdadeira mudança não vive de slogans: vive da coragem de reconhecer que o que foi feito até agora não chega, e da seriedade de depositar confiança em quem representa esse novo ciclo. É essa escolha que pode abrir, finalmente, um futuro diferente para a nossa terra.

Artigo de Opinião publicado no Jornal O Louzadense nº 154, de 2 de Outubro de 2025

Transparência é uma daquelas palavras que todos os políticos gostam de usar. Está sempre presente nos discursos, nos programas e até em distinções oficiais que, aqui e ali, reconhecem boas práticas. Mas, quando olhamos com atenção, percebemos que muitas vezes a transparência é tratada apenas como um exercício formal: publicar relatórios extensos ou tabelas extraídas de um sistema informático. Isso pode cumprir a lei, pode até gerar prémios, mas está longe de cumprir aquilo que os cidadãos realmente esperam.

A verdadeira transparência não é despejar números em bruto. É dar-lhes sentido. É explicar as escolhas feitas, as prioridades assumidas e os resultados alcançados. É também, e sobretudo, falar com clareza quando as coisas não correm bem: porque determinado investimento não avançou, porque uma promessa eleitoral ficou por cumprir, ou porque uma estratégia não produziu os resultados previstos. É precisamente nesses momentos que a transparência é mais necessária. É aí que se testa a confiança entre eleitos e eleitores.

Numa perspetiva liberal, a transparência tem duas dimensões inseparáveis. A financeira, porque cada recurso público vem do esforço dos contribuintes e deve ser utilizado com rigor. E a política, porque os cidadãos têm o direito de compreender não apenas como o dinheiro foi gasto, mas também quais foram as opções tomadas, por que se escolheu um caminho em vez de outro e que resultados se pretendia alcançar. A prestação de contas só é completa quando aborda sucessos e insucessos, assumindo responsabilidades e explicando contextos.

A confiança dos cidadãos não depende de tudo correr bem, depende de haver explicações claras. Os munícipes sabem que a gestão pública tem dificuldades e imprevistos; o que enfraquece a relação entre eleitos e eleitores não são os problemas em si, mas a forma como se escondem ou omitem. Transparência é, por isso, garantir que tanto os sucessos como os fracassos são comunicados com a mesma clareza.

Mais ainda: só com cidadãos bem informados se constroi a massa crítica necessária a uma democracia exigente. Quanto maior for o número de pessoas capazes de compreender, questionar e debater as decisões políticas, mais forte será a vida pública local. A transparência não é apenas um dever legal ou um selo de reconhecimento externo; é o alicerce que permite uma participação cívica mais responsável e uma comunidade mais confiante.

Defender mais transparência não é criticar o presente, é melhorar o futuro. Significa querer um sistema em que os dados não se limitam a ser publicados, mas são explicados e contextualizados; em que as decisões, certas ou erradas, são assumidas com clareza; e em que os cidadãos são tratados como protagonistas, não como meros espectadores. Só assim a transparência deixa de ser uma palavra repetida em discursos para se tornar naquilo que realmente importa: confiança.

Artigo de Opinião publicado no Jornal O Louzadense nº 152 de 04 de Setembro de 2025

A base filosófica e histórica da Iniciativa Liberal

Vivemos num tempo em que as palavras “liberdade”, “igualdade” ou “justiça” são repetidas quase até perderem o sentido. Mas o liberalismo nunca foi uma moda nem uma bandeira vazia. É uma tradição intelectual profunda, com séculos de história e uma enorme atualidade. A Iniciativa Liberal nasceu dessa herança — e dos desafios concretos de um país que precisa de mudar. Para melhor. Com mais liberdade. Com mais responsabilidade. Com mais confiança nas pessoas.

As raízes do liberalismo

O liberalismo surgiu na Europa entre os séculos XVII e XVIII como resposta aos abusos do poder absoluto — fosse ele político, religioso ou económico. Filósofos como John Locke, Montesquieu, Adam Smith ou John Stuart Mill estabeleceram os alicerces de um novo modelo de sociedade: uma em que o poder do Estado é limitado, os direitos individuais são sagrados, a economia é livre e a autoridade é sempre questionável.

Com o tempo, o liberalismo tornou-se o motor das democracias modernas, da economia de mercado e dos direitos civis. Mas foi também alvo de críticas, caricaturas e tentativas de controlo por parte de visões centralizadoras — de esquerda e de direita.

É nesse contexto que o liberalismo do século XXI tem de reafirmar os seus princípios. Em Portugal, essa missão foi assumida pela Iniciativa Liberal.

Três Liberdades Essenciais

Segundo Carlos Guimarães Pinto, fundador da Iniciativa Liberal e um dos principais pensadores do liberalismo contemporâneo em Portugal, o liberalismo deve assentar em três liberdades fundamentais: a liberdade social, a liberdade económica e a liberdade política. E nenhuma delas pode ser sacrificada em nome das outras.

1. Liberdade Social

É o direito de cada pessoa viver a sua vida como entender — desde que não limite a liberdade dos outros. É poder amar quem quiser, expressar-se como quiser, consumir o que quiser, vestir-se como quiser, acreditar ou não acreditar. É dizer que o Estado não tem o direito de impor uma moral ou um estilo de vida. A liberdade social é, antes de mais, o reconhecimento da diversidade humana.

2. Liberdade Económica

É a liberdade de empreender, trabalhar, contratar, poupar e investir — sem a mão pesada do Estado a controlar, taxar ou burocratizar cada passo. Uma sociedade economicamente livre é aquela onde o mérito conta, onde a inovação é bem-vinda, onde o sucesso é celebrado e o fracasso é uma oportunidade de aprendizagem. É também uma sociedade onde o Estado não favorece uns em detrimento de outros.

3. Liberdade Política

É a base da democracia liberal: o poder limitado pela lei, a separação de poderes, o escrutínio público, eleições livres e instituições independentes. A liberdade política garante que ninguém está acima da lei e que todos têm voz — mesmo (ou sobretudo) quando discordam. É uma defesa contra o autoritarismo disfarçado de eficiência.

O Liberalismo Epistemológico: a liberdade de pensar

Um dos contributos mais relevantes de Carlos Guimarães Pinto para o debate político português é o conceito de liberalismo epistemológico. Esta ideia é simples, mas poderosa: ninguém detém a verdade absoluta. As sociedades avançam não por imposição de planos centralizados, mas por descoberta descentralizada — feita por indivíduos livres que erram, corrigem, inovam e aprendem.

O liberalismo epistemológico combate a arrogância dos que julgam saber o que é melhor para todos. Recusa o planeamento total. Defende a humildade intelectual e a abertura ao debate. É uma forma de garantir que a liberdade não é apenas um direito legal, mas uma condição essencial para o progresso do conhecimento e da sociedade.

Como escreveu Carlos Guimarães Pinto:

“O liberal não quer mandar em ninguém, nem que ninguém mande nele. E, por isso, o liberal está mais interessado em descobrir do que em impor.”

O nascimento da Iniciativa Liberal

Foi com base nestes princípios — liberdade individual, responsabilidade, livre iniciativa, humildade epistemológica — que nasceu a Iniciativa Liberal. Não por oportunismo, mas por necessidade. Num país bloqueado entre centralismo, compadrio e conformismo, era urgente afirmar uma alternativa.

A IL é um partido político, sim. Mas é também uma ideia: que Portugal pode ser mais livre, mais próspero, mais moderno e mais justo se confiar mais nas pessoas e menos no Estado.

Em vez de promessas populistas, propõe reformas estruturais. Em vez de clientelismo, defende o mérito. Em vez de depender do Estado, quer empoderar os cidadãos.

E em Lousada?

Lousada não está isolada desta realidade. Vive os mesmos desafios nacionais: uma economia pouco dinâmica, serviços públicos que não respondem, juventude que parte por falta de oportunidades. Mas Lousada também tem potencial — humano, geográfico, social — para ser uma referência.

A Iniciativa Liberal em Lousada quer ser a semente dessa mudança. E acredita que tudo começa por aqui: com liberdade para viver, para escolher e para pensar.