Há um erro que os poderes longos cometem demasiadas vezes: começam a acreditar que vencer eleições é o mesmo que vencer o debate sobre o futuro.

Não é.

Ganhar eleições dá legitimidade para governar. Não dá autoridade moral exclusiva sobre uma terra. Não transforma quem discorda em irrelevante. E muito menos converte derrotas da oposição numa prova automática de excelência governativa.

Porque há uma pergunta que continua sem resposta:

Lousada está tão bem como poderia estar?

Não melhor do que há 20 ou 30 anos. Isso seria um critério demasiado pequeno para um concelho cheio de potencial. A pergunta séria é outra: estamos ao nível da nossa ambição?

Há décadas que ouvimos a mesma narrativa: estabilidade, continuidade, serenidade.

Mas estabilidade sem ambição pode tornar-se acomodação.

E continuidade sem exigência pode tornar-se rotina.

Há investimento? Sim.

Há crescimento? Sim.

Mas há visão suficientemente ousada para o próximo salto? Há capacidade para pensar Lousada para os próximos 20 anos, ou apenas competência para administrar os próximos quatro?

Esta é a diferença entre governar e liderar.

O problema dos poderes longos raramente começa na incompetência. Começa quando deixam de se questionar. Quando confundem crítica com incómodo. Quando passam a acreditar que o eleitorado lhes entregou não apenas a gestão do concelho — mas a propriedade moral da sua narrativa.

Quem ama uma terra não a diminui ao silêncio.

Questiona-a.

Exige mais.

Recusa a ideia confortável de que “assim já está bem”.

Porque Lousada não precisa apenas de continuar.

Precisa de crescer com mais ambição do que a rotina do poder permite imaginar.

As urnas decidem governos.

Não encerram debates.

E nenhuma maioria, por longa que seja, devia ter medo dessa ideia.

Há artigos que se escrevem para informar. Há artigos que se escrevem para convencer. E há artigos que se escrevem para intimidar – para sugerir, com toda a suavidade retórica possível, que quem não governa deve calar-se.

O artigo do presidente da Juventude Socialista de Lousada num órgão de comunicação social local é, inequivocamente, do terceiro tipo.

Mas há um problema. Intimida quem aceita ser intimidado.

Sobre os dez

A legitimidade de um deputado eleito não se mede pelo historial de vitórias do seu partido. Mede-se pelo mandato recebido nas urnas. Qualquer outra interpretação não é política – é arrogância com boa dicção.

Sobre as urnas que “não mentem”

Aceito o princípio sem reservas. Então leiamos o que as urnas disseram – todas as urnas, todos os números, sem seleccionar apenas o que serve o editorial.

O PS venceu as autárquicas de 2025 em Lousada. Legítimo, homologado, respeitado. Mas os números que contextualizam essa vitória dizem uma coisa muito diferente da narrativa triunfalista que tem sido construída.

Entre 2021 e 2025, o PS cresceu trinta votos em termos absolutos. Trinta – de 16.561 para 16.591. No mesmo período, mais de três mil lousadenses adicionais foram às urnas. Ou seja: milhares de novos votantes participaram e escolheram outra coisa. A quota eleitoral do PS caiu mais de seis pontos percentuais. E o partido elegeu menos um vereador do que em 2021.

Ganhou a eleição. Perdeu terreno, perdeu percentagem, perdeu um mandato.

Se as urnas não mentem – e não mentem – leiamos tudo o que elas disseram. Não apenas a linha que convém ao vencedor.

Sobre “azuis por fora, laranjas por dentro”

Esta frase revela mais sobre quem a escreve do que sobre quem pretende descrever.

A Iniciativa Liberal defende a redução da carga fiscal, a liberdade económica, a concorrência como motor de qualidade, o Estado como facilitador e não como produtor, a transparência como obrigação e não como favor. Em Lousada, temos apresentado propostas concretas, analisado documentação oficial com rigor e exigido prestação de contas fundamentada.

Pode discordar-se destas posições. É legítimo. Mas confundi-las com o PSD é ou ignorância ou desonestidade intelectual – e o presidente da JS não tem desculpa para nenhuma das duas.

O casamento que o artigo antecipa “daqui a quatro anos” é uma ficção conveniente. Serve para não ter de responder ao que a IL diz – basta rotulá-la e arquivá-la. É o truque mais velho da política: quando não tens argumentos para o conteúdo, ataca a embalagem.

Sobre o desconforto de ser avaliado

Chegamos ao núcleo do problema. E o núcleo não é político – é democrático.

Este artigo revela alguém que não está habituado a ser escrutinado. Que opera num ambiente político onde ganhar eleições é, na prática, sinónimo de governar sem prestação de contas efectiva. Onde a assembleia é uma formalidade, a oposição é ruído de fundo, e a maioria faz o que lhe apetece com a confortável convicção de que está autorizada a isso.

Não está. Nunca esteve.

A democracia não dá ao PS o direito de fazer o que lhe apetece. Dá-lhe o direito – e a obrigação – de ser avaliado. Todos os dias. Por nós. Pelos lousadenses. Pelas instituições. É exactamente para isso que a oposição existe. É exactamente para isso que a assembleia municipal existe. Não como decoração institucional, mas como mecanismo de controlo do poder. O mais fundamental de todos os mecanismos democráticos.

Quando um relatório de auditoria regista uma opinião qualificada sobre activos fixos tangíveis avaliados em 179,6 milhões de euros, quando a execução do investimento fica nos 68%, quando os custos com pessoal ultrapassam pela primeira vez metade da despesa corrente – perguntar sobre isso não é “construir a narrativa do abandono”. É fazer o trabalho para que fomos eleitos. É exactamente o escrutínio que a democracia exige e que, aparentemente, tanto incomoda.

O desconforto que esse escrutínio provoca é, aliás, o sinal mais claro de que está a funcionar.

Sobre o conceito de democracia que este artigo revela

Há uma visão da democracia que se limita à noite eleitoral. Que trata o voto como uma transferência de poder absoluto, como um cheque em branco, como uma autorização para governar sem ser questionado durante quatro anos. Que vê a oposição não como um pilar institucional, mas como um incómodo a gerir. Que confunde pluralidade com ameaça e escrutínio com sabotagem.

É um conceito de democracia pobre e perigoso. E, infelizmente, muito reconhecível no PS.

O artigo do responsável da JS não é uma defesa de Lousada. É uma defesa do conforto de governar sem ser avaliado. É tratar os lousadenses como eleitores passivos que escolhem de quatro em quatro anos e se calam no intervalo. É fazer deles parvos.

Os lousadenses merecem mais do que isso. E, como os números das urnas demonstram com clareza, estão cada vez mais a exigi-lo.

Sobre o “bom caminho” e a “narrativa do dormitório”

Lousada tem dinâmicas positivas. Reconhecê-lo não é fraqueza, mas sim honestidade. Nunca dissemos o contrário.

O que dissemos – e continuamos a dizer – é que o potencial de Lousada é maior do que aquilo que tem sido aproveitado. Que um território com a localização, os recursos e a massa crítica que Lousada tem merece uma visão económica estruturada, não apenas infraestrutura física e eventos. Que há escolhas estratégicas por fazer que não estão a ser feitas. Isso não é narrativa de abandono. É exigência de ambição.

A questão nunca foi se há investimento. A questão é sempre: está a ser bem aplicado? As prioridades são as correctas? Podia ser mais transparente? É precisamente essa a função da oposição – não destruir o que funciona, mas garantir que o que não funciona não se esconde debaixo do que funciona. E garantir que quem governa nunca se esqueça de que está a ser observado.

Isso é incómodo? Sim. É suposto ser.

A Iniciativa Liberal chegou a Lousada há seis meses. Não viemos pedir licença para existir. Não viemos aguardar a benevolência da maioria. Viemos fazer o que a democracia nos obriga a fazer: perguntar, analisar, propor e exigir respostas.

O presidente da JS pode não estar habituado a isso. Vai habituar-se.

Têm razão, no entanto, numa coisa: não é necessário gritar. Mas também não é necessário estar todos os dias a justificar a própria existência, a marcar presença no espaço público, a mostrar as obras – algumas onde nem sequer tem intervenção – nas redes sociais. A mostrar o fato novo em mais uma foto para a posteridade. Quem trabalha, trabalha. Quem governa bem, não precisa de o anunciar a toda a hora. Os resultados falam por si. E quando os resultados precisam de tanto ruído para serem ouvidos, talvez o problema seja exactamente esse.

Relatório anual para os accionistas. Desculpem, para os lousadenses

Os números são excelentes. O CEO está radiante. Os dividendos foram aprovados.

Só há um problema: numa empresa, o CEO presta contas aos accionistas com todos os números em cima da mesa. Aqui, a Câmara apresenta os que lhe convêm.

OS LUCROS

€5,8 milhões de resultado positivo. €14,5 milhões parados em tesouraria. Receita executada a 92,3%.

Impressionante. Até perceber de onde vem o “lucro”.

A EXECUÇÃO – OU A FALTA DELA

▸ A despesa de capital executou 67,8%. Ficaram por gastar €10,8 milhões de investimento orçado, aprovado e prometido. Em obras que não existem. Em serviços que não chegaram. Em Lousada que ficou igual.

▸ O investimento que anunciam é maioritariamente financiado por Bruxelas ou Lisboa, e a prova está nos números: apenas 1 euro em cada 6 investidos vem de recursos autárquicos próprios. O mérito da Câmara é gerir candidaturas. A estratégia para sustentar o que se constrói, essa, brilha pela ausência.

▸ Os parques infantis: projecto aberto em 2020, prazo até 2027, execução global de 4,97%. Seis anos. Menos de 5%. As crianças de Lousada podem esperar.

▸ A reparação de infraestruturas em 2025: executada a 66,98%. Dois terços do previsto. O terço que falta fica para o próximo ano. Quando custar mais.

▸ A reparação de edifícios municipais: projecto de 2020 que consumiu 62% acima do orçamento original. Porque se adiou a manutenção preventiva até entrar em urgência. O ciclo clássico: deixa degradar, anuncia requalificação, corta fita, repete.

A MÁQUINA CRESCE – SEMPRE

Em 2025, o município contratou 57 pessoas e dispensou 20. Mais 37 efectivos líquidos. Os gastos com pessoal subiram €1,5 milhões (+9,3%). Simultaneamente, os serviços externos subiram €1,9 milhões (+16,5%).

Contratou-se por dentro e por fora ao mesmo tempo. €3,4 milhões adicionais só nestas duas rubricas.

Resultado: 50,39% das despesas correntes são agora salários. Ultrapassou a barreira psicológica dos 50%, a partir da qual a rigidez da despesa corrente começa a comprimir tudo o resto. Cada euro que entra em Lousada, cinquenta cêntimos vão para a estrutura antes de qualquer serviço chegar ao cidadão.

Se isto é eficiência, gostaríamos de ver o modelo de ineficiência para comparação.

O FUTURO – A RUBRICA VAZIA

O Plano Plurianual tem dezenas de projectos de beneficiação de ruas, passeios e requalificações. Asfalto, lancil, passeio, inauguração, fotografia. Repetir na próxima freguesia.

Não existe neste plano nenhum projecto de desenvolvimento económico endógeno. Nenhuma aposta em emprego qualificado. Nenhuma estratégia para fixar empresas ou jovens. Nenhum instrumento que quebre o padrão de Lousada como concelho dormitório, onde se dorme, se paga impostos, e se trabalha noutro sítio.

O único projecto que tentou ir além do betão – o LUMI, aberto em 2019 – correu a 111,7% do orçamento, foi prolongado sete anos, a auditoria europeia de fecho decorreu em 2025 e os resultados da auditoria de fecho não constam em parte alguma das contas apresentadas. O projecto continua em curso – sem prazo claro, sem prestação de contas sobre o que a auditoria concluiu.

O QUE NÃO CONSTA NA FESTA

A Iniciativa Liberal não é contra o investimento público. É contra o investimento público sem estratégia para o sustentar.

Há investimentos que se justificam pelo seu valor social: uma unidade de saúde, um pavilhão desportivo, uma rede de saneamento. Ninguém questiona isso. O que se questiona é quem paga a conta de luz, a manutenção, o pessoal… Todos os anos, depois da inauguração, depois das fotografias, depois de Bruxelas ir embora.

Essa conta paga-se com receita municipal. E receita municipal sustentável só existe com uma base económica forte: empresas que se fixam, emprego qualificado que fica, valor acrescentado que se cria localmente. É o investimento privado qualificado que financia, a prazo, o investimento público social.

Investir em prédios e canos é o básico. É o que qualquer autarquia deve fazer. Investir no futuro é criar valor permanente em Lousada: empresas que ficam, empregos que não saem, jovens que não partem. Menos propaganda sobre o que se inaugurou. Mais estratégia sobre o que se vai criar.

O problema não é apenas a dependência. É que nem essa dependência é gerida com eficácia. Em 2025, as transferências de capital – o dinheiro que vem de Bruxelas e Lisboa para obras – foram executadas a apenas 56,8%, em parte porque sem obras concluídas não há reembolsos a reclamar. O município não executa o investimento e depois não recebe o financiamento que o suportava. É um ciclo de sub-execução que se auto-alimenta.

A pergunta que as contas não respondem: com que receita vai o município suportar os custos permanentes de tudo isto?

Não é retórica. É estrutural. A tendência é clara: as receitas próprias cobrem apenas 32,82% da despesa total. E a cobertura do investimento por fundos autárquicos caiu de 28,23% para 16,55% num único ano. A margem está a encolher, não a crescer.

Bruxelas paga para construir o Pavilhão Municipal. Lousada paga para o limpar, aquecer, iluminar, reparar e gerir. Todos os anos, para sempre. Com que margem? A resposta não está nestas contas, porque a resposta exigiria uma estratégia de geração de receita que não existe.

E essa estratégia tem um nome: captação de investimento privado qualificado. Empresas que se fixam no concelho criam emprego bem pago, e emprego bem pago significa mais IRS colectado, mais IMI pago, mais taxas municipais arrecadadas. Receita recorrente, autónoma, que não depende do próximo ciclo de fundos europeus.

Não existe no Plano Plurianual um único projecto orientado para atrair esse investimento. Nenhuma aposta em atracção de empresas intensivas em conhecimento, em economia criativa ou indústria de alto valor acrescentado. Nenhum instrumento que transforme Lousada de destino de fundos em origem de riqueza.

Bruxelas financia infra-estruturas. Infra-estruturas não se pagam a si próprias. Só o investimento privado qualificado gera a receita fiscal que sustenta o que se constrói. E esse, Lousada continua a não saber como atrair.

A Iniciativa Liberal solicitou formalmente à Câmara a especialização dos custos de manutenção de alguns dos projectos já em funcionamento: o Cornélias, o LUMI, o LousadaFitCity. Recebemos centenas de páginas de documentação, que estamos a analisar. Daremos conta publicamente do que encontrámos. Ou do que não encontrámos. Os lousadenses merecem saber quanto custam estes projectos a funcionar todos os anos. Afinal, são eles que pagam a conta.

Inaugurar com dinheiro europeu é fácil. Sustentar com receita própria é que custa. E para isso é preciso uma estratégia que estas contas não mostram.

O VEREDICTO

Lousada não tem um problema financeiro. Tem um problema de visão.

Um problema que não começou hoje, e que estranhamente poucos questionaram enquanto havia betão para inaugurar e comunicados para emitir.

Criticar as contas é o mínimo. Qualquer oposição faz isso. Propor o modelo alternativo, com parceiros identificados, caminhos de financiamento explorados e estratégia para transformar Lousada de dormitório em destino, é o que distingue quem está aqui para gerir a narrativa de quem está aqui para mudar o concelho.

A Iniciativa Liberal não se contenta com o diagnóstico. Já apresentou propostas para Lousada, e não serão as últimas. Há uma diferença entre apontar o problema e construir a solução. Nós escolhemos o segundo.

Cada milhão de superávit é um milhão que não chegou aos lousadenses. O CEO celebra. Os outros comentam. Os accionistas pagam.

Na última sessão da Assembleia Municipal de Lousada, perguntei ao executivo que estratégia tem para criar emprego qualificado e reter os jovens que aqui crescem. Recebi três respostas. Merecem ser lidas com atenção, porque revelam muito mais do que pretendem.

A Vereadora Maria do Céu Rocha, responsável pelo pelouro da Economia e Investimento, disse: “Não é de todo mal que Lousada tenha estes talentos e que vão para fora.”

Está na gravação da Assembleia Municipal. Estará na acta. A teoria subjacente tem nome em economia: brain circulation. Os talentos saem, ganham experiência, regressam com valor acrescentado. É uma ideia legítima, quando o território cria condições activas de retorno. Quando há emprego qualificado à espera. Quando há um projecto de futuro que justifique o regresso.

Pergunto então: que condições criou Lousada para atrair de volta quem saiu? Que obstáculos removeu Lousada para que o investimento qualificado se instalasse? Que fricção burocrática eliminou? Que custos de contexto reduziu para tornar o território atractivo ao investimento privado?

Sem resposta a estas perguntas, a teoria da brain circulation é apenas uma forma elegante de dizer que não há estratégia. Também tem um nome em economia: brain drain. E a responsável pelo pelouro da Economia confirmou-o na frase seguinte: “Não interessa se vive em Lousada ou se vive no Porto.”

O território não importa. O município não tem papel. Se isto é a visão da responsável pela Economia do concelho, podíamos poupar o salário e extinguir o pelouro.

Anteciparei o argumento mais previsível: o problema do emprego qualificado não é municipal, é estrutural. É verdade, mas apenas em parte. Nenhum município resolve sozinho a geografia económica do país.

Mas este argumento tem um limite preciso: serve para explicar o passado, não para justificar a inacção no presente. E o que distingue os municípios que avançaram dos que ficam para trás não é a ausência do problema estrutural, mas sim a recusa em o aceitar como desculpa permanente.

O Fundão tinha o problema estrutural em dose tripla: interior profundo, sem universidade, sem cluster industrial. Em 2013 decidiu parar de invocar as circunstâncias e apostou numa estratégia deliberada de captação de investimento qualificado. Fê-lo removendo obstáculos, simplificando processos, tornando-se um território de baixa fricção para quem quisesse investir e instalar-se. O mercado fez o resto. Hoje tem mais de mil postos de trabalho em tecnologia, software e biotecnologia. Não porque o problema estrutural desapareceu, mas porque alguém decidiu trabalhar contra ele em vez de se resignar a ele.

Lousada tem condições que o Fundão nunca teve. Trinta e cinco minutos do Porto. O maior cluster automóvel do Norte a meia hora – Bosch, Simoldes, CEiiA, INESC TEC, MOBINOV, entre outros. Conectividade rodoviária e ferroviária. Uma centralidade com que nenhum outro concelho consegue competir. Jovens qualificados. E o Eurocircuito da Costilha.

Com tudo isto, fica uma pergunta no ar: porque razão as empresas de conhecimento não escolhem Lousada para se instalar? Porque é que os centros de competência ficam no Porto, em Braga, em Aveiro, e não aqui, que está mais perto de tudo do que a maioria?

O que o executivo faz com estas vantagens? Trata-as como cenário para eventos. E quando alguém propõe ir mais longe, invoca as circunstâncias do território como fatalidade geológica, em vez de as encarar como o desafio que uma política séria de redução de custos de contexto resolve. A orografia não é uma sentença. É uma condicionante que uma estratégia inteligente transforma em vantagem, apostando em economia do conhecimento, em serviços de valor acrescentado, em sectores que não precisam de vale plano para existir. Outros fizeram-no. Lousada tem melhores condições de partida do que a maioria.

O Senhor Presidente citou a captação de “empresas inovadoras na metalomecânica” como evidência de emprego qualificado. Não quero cair no erro oposto: a metalomecânica de precisão é um sector de alta complexidade, e as empresas líderes empregam engenheiros com salários competitivos. Isso tem valor real.

Mas há uma pergunta que o executivo não fez – e que é a única que importa para este debate: quantas dessas empresas instalaram em Lousada as suas funções de engenharia, de investigação e desenvolvimento, de gestão de produto? Ou instalaram cá a produção, e ficaram com o conhecimento noutro sítio?

Porque a diferença entre ter uma fábrica e ter um centro de competências é exactamente a diferença entre emprego industrial e emprego do conhecimento. O primeiro é valioso. O segundo é o que retém um investigador em engenharia, um gestor de produto, um especialista em automação. São mercados distintos, com lógicas distintas, e confundi-los – deliberadamente ou não – é a forma mais eficaz de não responder à pergunta.

Quando propus que o Eurocircuito da Costilha fosse posicionado como infraestrutura de testes de mobilidade autónoma, o Vereador do Desporto veio ao plenário dizer que o circuito não é especial, que há meia dúzia de semelhantes em Portugal, e que a condução autónoma já está resolvida na América.

Sobre a maturidade tecnológica, o Vereador tem razão num ponto estreito: os grandes operadores americanos – Waymo, Tesla – estão de facto avançados em condução autónoma de nível 5 em ambiente urbano. Mas há uma distinção que o Vereador não fez, e que é determinante: a Waymo circula em San Francisco com anos de mapeamento daquela cidade específica, em condições regulatórias americanas. Os construtores europeus – que operam sob regulamentação de homologação europeia, com processos de certificação europeus – têm pela frente anos de testes de desenvolvimento e validação. É para isso que o programa Horizon Europe CCAM existe. É para isso que financia infraestrutura de testes. Se o problema estivesse resolvido, o programa não existia – e a União Europeia não estava a injectar centenas de milhões neste sector.

O Vereador do Desporto usou o argumento certo para o mercado errado.

Concedo um ponto ao Vereador: existem em Portugal circuitos com características técnicas de superfície semelhantes. Tem razão nisso. Mas circuitos não são ilhas. O valor de uma infraestrutura de testes não é apenas técnico. É logístico, económico e de ecossistema. Um circuito no interior da Beira ou no Alentejo pode ter tarmac e terra. Não tem o Bosch a 30 minutos. Não tem o cluster da indústria automóvel a 40. Não tem o CEiiA, o MOBINOV e o INESC TEC na mesma hora de carro. Não está a 35 minutos do Porto, com ligação ferroviária. Não é cruzado por três auto-estradas. A vantagem competitiva da Costilha não está apenas nas características da pista, mas sim em tudo o que existe à sua volta. E isso, por definição, nenhum outro circuito português tem. É uma vantagem de território. É exactamente o tipo de vantagem que uma política séria de atracção de investimento privado devia estar a monetizar.

Sobre o argumento de que a obra ainda não está concluída: é verdade, e é um ponto legítimo. Mas preparar uma candidatura a Horizon Europe demora entre seis a doze meses. A obra e a candidatura são processos paralelos, não sequenciais. Começar hoje significa ter a candidatura pronta quando a infraestrutura estiver operacional. Esperar que a obra esteja concluída para começar a pensar na candidatura é garantir que se perde a janela. É exactamente o tipo de sequenciamento que distingue quem planeia do futuro de quem reage ao presente.

Entre 2017 e 2021 este município submeteu dezenas de candidaturas a programas europeus. Erasmus+ para desporto, inclusão, juventude, idosos. Interreg para resíduos. Projectos sobre florestas, hipoterapia, refugiados. Cada um com o seu mérito social genuíno.

Nenhum com o objectivo de criar condições para atrair emprego qualificado, atrair investimento, ou transformar a base económica do concelho.

Não é uma crítica à quantidade. É uma crítica à direcção. Um município que em quatro anos não submeteu uma única candidatura europeia orientada para o desenvolvimento económico não tem falta de energia – tem falta de ambição.

O Senhor Presidente apresentou o Centro de Formação do IEFP como pilar da estratégia de emprego qualificado. O município cedeu o terreno. É o contributo real e concreto de Lousada nesta infraestrutura. O que ali se ensina, que cursos se leccionam, que perfis se formam, isso é competência do IEFP, entidade nacional com programas definidos centralmente. O município não tem nem terá qualquer intervenção nos conteúdos. Não se sabe que estudo de mercado foi feito sobre as necessidades do tecido empresarial do Vale do Sousa. Não se sabe se os cursos correspondem ao que as empresas locais precisam ou ao catálogo padrão disponível em qualquer ponto do país.

Mas o problema mais profundo não é que o controlo seja municipal ou central. É que seja inteiramente estatal. As empresas que sabem o que precisam, que conhecem os perfis que faltam, as competências que procuram, não têm voz nos conteúdos. A formação profissional devia ser orientada pelo mercado, não pelo catálogo do Estado. E um executivo verdadeiramente comprometido com o desenvolvimento económico local devia estar a exigir exactamente isso, e não a apresentar a cessão de um terreno como estratégia.

Há uma coerência interna neste executivo que é necessário nomear claramente: o problema do emprego qualificado é estrutural, logo não há culpa local. Os jovens que saem podem voltar – logo a saída não é problema. Temos metalomecânica e o IEFP, logo estamos a fazer algo. A Costilha não é especial, logo não perdemos nada.

É um sistema fechado, impermeável a qualquer resultado. Nunca há falha, nunca há urgência, nunca há responsabilidade.

A questão não é se este executivo trabalha: trabalha, e em muitas áreas trabalha bem. A questão é se confunde actividade com política. E se percebe a diferença entre o Estado como produtor de serviços e eventos – papel que domina, e o Estado como facilitador das condições em que o mercado e as pessoas podem prosperar – papel que nunca assumiu.

Liberalismo não é pedir que o Estado faça mais. É pedir que faça menos nas coisas erradas, e que faça bem o que só o Estado pode fazer: remover obstáculos, reduzir fricção, criar previsibilidade para quem quer investir e construir.

Esse executivo nunca fez esta distinção. Faz festas. Financia eventos. Subsidia a sua empresa municipal. Candidata-se a fundos europeus para percursos pedestres. E depois invoca as circunstâncias para explicar porque os jovens partem.

Lousada tem melhores cartas do que qualquer um deles tinha. Localização, cluster automóvel à porta, infraestrutura, jovens qualificados. O que não tem é um executivo disposto a jogar essas cartas, porque jogar implica arriscar, e arriscar implica poder falhar, e falhar não combina com uma agenda cheia de prémios e festivais. O Fundão arriscou com menos. Aveiro arriscou com menos. Ficaram maiores. Lousada tem melhores cartas do que qualquer um deles tinha e ainda não jogou nenhuma.

Gerir bem o quotidiano é necessário. Não é suficiente. Um município que confunde gestão corrente com estratégia de futuro não está a governar. Está a administrar o presente enquanto hipoteca o amanhã.

Os nossos filhos merecem mais do que um dormitório bem gerido.

E o executivo de Lousada, mais do que estudos e planos, precisava talvez de ver um pouco mais de mundo. E um pouco menos de festas.

A Iniciativa Liberal chama a atenção dos lousadenses para uma situação que, não sendo nova, merece ser conhecida: a Câmara Municipal de Lousada não publicou o Relatório de Avaliação do Grau de Observância do Estatuto do Direito de Oposição (REDO) referente ao ano de 2025.

O prazo fixado por lei era 31 de Março de 2026. Passou. O único relatório publicado na história recente do município data de 29 de Dezembro de 2017. Para perceber a importância do que está em causa, importa explicar para que serve este direito. Não se trata de um privilégio das minorias políticas, mas de uma garantia dos cidadãos.

A lei obriga a Câmara Municipal a informar regularmente a oposição sobre os principais assuntos de interesse público (art.º 4.º da Lei n.º 24/98) e, mais do que isso, a ouvi-la antes de fechar o orçamento e os planos de actividade (art.º 5.º, n.º 3). Isto significa que as forças políticas que representam uma parte significativa dos lousadenses têm, por lei, de ser consultadas antes de se decidirem as prioridades de investimento do município. Não para ter poder de veto, mas para que as suas perspectivas entrem na discussão.

Em Lousada, isso não aconteceu, pelo menos em 2025. E se aconteceu antes, não ficou registado: o relatório que o deveria provar não existe. A isto acresce que a Iniciativa Liberal não foi ouvida na preparação do Orçamento Municipal para 2026 nem das Grandes Opções do Plano. A lei não sugere essa consulta: impõe-na. As prioridades de investimento que determinam o que se faz em Lousada no próximo ano foram decididas sem que as perspectivas de uma parte dos eleitos fossem sequer solicitadas. Não é uma questão de cortesia política.

É uma questão de cumprimento da lei. Se o Município afirma ser transparente, essa transparência deveria reflectir-se na Assembleia Municipal, que é o órgão representativo de todos os lousadenses, e nos partidos políticos que lá têm assento. Transparência que se vê nas redes sociais mas não chega aos eleitos não é transparência: é imagem. Seria injusto, porém, apontar o dedo apenas ao actual executivo sem reconhecer que esta situação tem cumplicidades mais antigas. O último REDO publicado remonta a 2017. Entre 2018 e 2024, a oposição de então, PSD e CDS, nunca exigiu publicamente o cumprimento desta obrigação. A normalização do incumprimento foi sendo construída em silêncio, mandato após mandato, sem que ninguém considerasse valioso levantar a questão.

A IL não pretende reproduzir esse padrão. O relatório do Direito de Oposição existe para garantir que quem governa presta contas de como tratou as minorias e, através delas, os cidadãos que as elegeram. A sua ausência continuada não é uma falha administrativa menor. É o sinal de uma cultura política que se foi habituando a gerir o município como se a oposição fosse inconveniente e não parte legítima do sistema democrático.

Lousada merece melhor do que isso. A democracia não se esgota no acto de votar. Todos os eleitos, da maioria e da oposição, estão lá pelo mesmo motivo: querem uma Lousada melhor. Diferem nos meios, não no fim. Ignorar sistematicamente a oposição não é apenas desrespeitá-la a ela. É desrespeitar os lousadenses que, com o seu voto, lhe deram existência e lhe confiaram uma voz na discussão pública. A Iniciativa Liberal tomou posse na Assembleia Municipal em Outubro de 2025 e é, pela primeira vez, titular formal do direito de oposição em Lousada. O REDO de 2025 seria o primeiro relatório que nos seria entregue para nos pronunciarmos. Não foi elaborado, não foi publicado e não nos foi remetido.

Optamos por não aceitar esse silencio como normal. “A lei existe. Os prazos existem. E existe também a responsabilidade de os cumprir, independentemente de ser cómodo ou não fazê-lo. Não exigimos favores, reclamamos o que a lei garante. E fazemo-lo em nome de todos os lousadenses que merecem uma democracia local que funcione”, afirma Hugo Ferreira, Deputado Municipal da Iniciativa Liberal.

A IL vai requerer formalmente, na próxima sessão da Assembleia Municipal, a inclusão na ordem do dia da discussão deste incumprimento, ao abrigo do art.º 25.º, n.º 2, al. h) da Lei n.º 75/2013. Submeteu também pedido de informação formal ao Presidente da Câmara Municipal ao abrigo da Lei n.º 26/2016, para apurar os motivos da omissão e se existem relatórios elaborados mas não publicados.

Iniciativa Liberal Lousada
14 de Abril de 2026

O Núcleo Territorial de Lousada da Iniciativa Liberal realizou ontem, 31 de Março, o seu 1.º Plenário de 2026, reunindo membros para balanço do ano anterior e definição de rumo para o ano em curso. A reunião decorreu com aprovação unânime de todos os pontos submetidos a votação: as contas de 2025 e o plano de actividades para 2026, reflectindo a coesão interna do núcleo e a confiança dos seus membros na direcção do trabalho desenvolvido.

TRANSPARÊNCIA QUE COMEÇA EM CASA A aprovação das contas por unanimidade não é um mero acto formal. É a demonstração prática de que a Iniciativa Liberal pratica aquilo que exige: prestação de contas clara, rigorosa e sem ambiguidades. O NT de Lousada aposta naquilo que são as suas bandeiras: contas abertas, discussão transparente, aprovação fundamentada.

UM PLANO DE TRABALHO À ALTURA DOS DESAFIOS Para 2026, o núcleo definiu uma agenda de trabalho centrada em três eixos: fiscalização municipal, comunicação de proximidade e reforço da presença no terreno. O objectivo é claro: levar a Lousada uma alternativa política que não se limita a criticar, mas que apresenta propostas concretas, mensuráveis e realizáveis, assentes nos princípios da liberdade individual, da responsabilidade e da eficiência na gestão dos recursos públicos. A IL Lousada acredita que o papel do poder local não é resolver os problemas dos cidadãos por eles, mas criar as condições para que esses problemas não existam. São os incentivos certos, sejam fiscais, regulatórios ou institucionais, que determinam se as pessoas e as empresas do concelho podem crescer, investir e prosperar por mérito próprio. Sem esses incentivos, nem a melhor das intenções políticas produz resultados duradouros.

FISCALIZAÇÃO COMO SERVIÇO PÚBLICO O trabalho desenvolvido pelos deputados municipais da IL na Assembleia Municipal de Lousada, Hugo Ferreira e Teresa Nunes, continuará a ser um dos pilares da acção do núcleo. A fiscalização activa da actividade do Município, a exigência de cumprimento dos mais elementares direitos democráticos e a denúncia de irregularidades procedimentais não são ataques partidários: são obrigações democráticas. E serão cumpridas com a mesma exigência que o NT Lousada aplica à sua própria gestão interna. “Este plenário é o espelho daquilo que defendemos para Lousada: decisões tomadas com base em informação clara, responsabilidade perante quem nos mandatou e um plano de trabalho que não existe para encher gavetas. Exigimos transparência à Câmara porque a praticamos nós próprios. Em 2026, o NT Lousada vai continuar a fazer aquilo que o liberalismo exige: trabalho sério, fiscalização sem complacência e a defesa intransigente de que são os cidadãos, e não o Estado, que melhor sabem o que é bom para as suas vidas e para o seu concelho.”

Hugo Ferreira, Coordenador do NT Lousada · Iniciativa Liberal

A mudança não é apenas uma palavra bonita: é uma necessidade real. Quando os mesmos rostos ocupam o poder durante demasiado tempo, instala-se um ciclo repetitivo: anunciam-se obras, mas falha a visão de conjunto. Surgem projetos que até podem ser importantes, mas continuam a faltar respostas estruturais em áreas decisivas como o emprego qualificado, os transportes, a habitação ou os serviços públicos de proximidade. É nesse ponto que estamos.

Mudar não é apenas trocar nomes ou símbolos; é repensar prioridades, trazer novas perspectivas e quebrar rotinas instaladas. Essa mudança só se torna possível quando existe confiança.

Confiança não se conquista com discursos fáceis, mas com seriedade e transparência. Ao longo dos anos, essa confiança foi sendo minada por uma governação demasiado focada no imediato, sem planeamento sólido para o futuro. Sim, houve obras. Mas obras avulsas não são sinónimo de estratégia. Uma comunidade precisa de mais do que tijolo e betão: precisa de visão, de ambição e de um rumo claro para as próximas gerações.

É por isso que a rotação no exercício do poder é essencial. Alternância não é capricho, é saúde democrática. É a forma de evitar acomodações, dependências e falta de escrutínio. Só com mudança real se renovam as ideias, se quebram rotinas instaladas e se abrem soluções diferentes para problemas que continuam por resolver. O verdadeiro risco não está em mudar, mas sim em deixar tudo ficar na mesma.

E convém lembrar: confiança não se alimenta de atalhos populistas. Nem sempre existem respostas fáceis, nem sempre as decisões certas são as mais populares. Mas é na honestidade – dizer a verdade, mesmo quando é incómoda – que assenta qualquer relação de confiança duradoura.

A verdadeira mudança não vive de slogans: vive da coragem de reconhecer que o que foi feito até agora não chega, e da seriedade de depositar confiança em quem representa esse novo ciclo. É essa escolha que pode abrir, finalmente, um futuro diferente para a nossa terra.

Artigo de Opinião publicado no Jornal O Louzadense nº 154, de 2 de Outubro de 2025

Transparência é uma daquelas palavras que todos os políticos gostam de usar. Está sempre presente nos discursos, nos programas e até em distinções oficiais que, aqui e ali, reconhecem boas práticas. Mas, quando olhamos com atenção, percebemos que muitas vezes a transparência é tratada apenas como um exercício formal: publicar relatórios extensos ou tabelas extraídas de um sistema informático. Isso pode cumprir a lei, pode até gerar prémios, mas está longe de cumprir aquilo que os cidadãos realmente esperam.

A verdadeira transparência não é despejar números em bruto. É dar-lhes sentido. É explicar as escolhas feitas, as prioridades assumidas e os resultados alcançados. É também, e sobretudo, falar com clareza quando as coisas não correm bem: porque determinado investimento não avançou, porque uma promessa eleitoral ficou por cumprir, ou porque uma estratégia não produziu os resultados previstos. É precisamente nesses momentos que a transparência é mais necessária. É aí que se testa a confiança entre eleitos e eleitores.

Numa perspetiva liberal, a transparência tem duas dimensões inseparáveis. A financeira, porque cada recurso público vem do esforço dos contribuintes e deve ser utilizado com rigor. E a política, porque os cidadãos têm o direito de compreender não apenas como o dinheiro foi gasto, mas também quais foram as opções tomadas, por que se escolheu um caminho em vez de outro e que resultados se pretendia alcançar. A prestação de contas só é completa quando aborda sucessos e insucessos, assumindo responsabilidades e explicando contextos.

A confiança dos cidadãos não depende de tudo correr bem, depende de haver explicações claras. Os munícipes sabem que a gestão pública tem dificuldades e imprevistos; o que enfraquece a relação entre eleitos e eleitores não são os problemas em si, mas a forma como se escondem ou omitem. Transparência é, por isso, garantir que tanto os sucessos como os fracassos são comunicados com a mesma clareza.

Mais ainda: só com cidadãos bem informados se constroi a massa crítica necessária a uma democracia exigente. Quanto maior for o número de pessoas capazes de compreender, questionar e debater as decisões políticas, mais forte será a vida pública local. A transparência não é apenas um dever legal ou um selo de reconhecimento externo; é o alicerce que permite uma participação cívica mais responsável e uma comunidade mais confiante.

Defender mais transparência não é criticar o presente, é melhorar o futuro. Significa querer um sistema em que os dados não se limitam a ser publicados, mas são explicados e contextualizados; em que as decisões, certas ou erradas, são assumidas com clareza; e em que os cidadãos são tratados como protagonistas, não como meros espectadores. Só assim a transparência deixa de ser uma palavra repetida em discursos para se tornar naquilo que realmente importa: confiança.

Artigo de Opinião publicado no Jornal O Louzadense nº 152 de 04 de Setembro de 2025

A Iniciativa Liberal deu mais um passo no seu crescimento local com a tomada de posse oficial do Núcleo Territorial de Lousada, liderado por Hugo Ferreira, especialista em tecnologias de informação e defensor de uma política mais próxima, transparente e centrada no cidadão.

Num discurso marcado pela exigência, liberdade e responsabilidade, o novo coordenador destacou a missão clara do núcleo: construir uma alternativa real à governação de rotinas e automatismos, e devolver aos lousadenses a esperança de que é possível fazer política com ideias, com trabalho e com valores.

“Não estamos aqui por lugares, estamos aqui por causas. O nosso compromisso é com a liberdade individual, com a transparência na gestão pública e com a construção de soluções concretas para os problemas reais dos cidadãos”, afirmou Hugo Ferreira na cerimónia.

Hugo Ferreira, Coordenador eleito do Grupo de Coordenação Local da IL Lousada

O projeto “Lousada com Futuro” já deu origem a dezenas de propostas políticas concretas, trabalhadas com detalhe e realismo: desde a criação de um Portal da Transparência em Tempo Real, até ao incentivo à habitação acessível através da reabilitação urbana e redes de mobilidade inter-freguesia com base em parcerias locais. Tudo pensado com base em princípios liberais: menos burocracia, mais eficiência, mais justiça, mais liberdade de escolha.

Mas o núcleo liberal de Lousada não se esgota nas ideias. É movido por pessoas — uma equipa unida, sem personalismos nem interesses próprios, que trabalha com desprendimento, seriedade e espírito de missão.

“A nossa força está na união e no compromisso coletivo. Cada um de nós contribui como pode, com tempo, ideias, trabalho. Sem favores. Sem medo. E com total liberdade.”

O momento mais marcante do evento foi o apelo à mobilização de todos os cidadãos que, até hoje, se sentiram isolados ou excluídos da vida política local. Aqueles que votam liberal mas têm receio de o dizer. Aqueles que acreditam na mudança, mas acham que não vale a pena tentar.

Pedro Teixeira, Presidente eleito da Mesa do Plenário

“Aos que andam calados, aos que estão cansados da política do favor e da porta fechada: este é o vosso espaço. A Iniciativa Liberal está aqui para abrir caminho, para dar voz a quem nunca a teve, e para construir um concelho mais livre, mais justo e mais moderno. Mas isso só será possível convosco.”

O núcleo compromete-se a manter presença ativa na rua, nas instituições e nas freguesias, com propostas, com escuta ativa e com confronto político sempre que necessário. “A liberdade não se pede — exerce-se. E nós cá estamos para isso.”

A Iniciativa Liberal marca, assim, um novo ciclo em Lousada. Um ciclo de ideias novas, práticas transparentes e compromisso com o futuro.

Porque Lousada tem futuro — e esse futuro começa agora.

Vivemos tempos em que a palavra “liberdade” aparece em todos os discursos — mas raramente se transforma em ação concreta. Fala-se muito em mudar, mas muda-se pouco. Fala-se em fazer melhor, mas repete-se o mesmo. Em Lousada, sentimos isso todos os dias: nos transportes que não existem, na habitação que não chega, nos serviços que demoram e nas decisões que não se explicam.

A Iniciativa Liberal surge em Lousada com um propósito simples, mas exigente: romper com a resignação e construir alternativas concretas.
Não estamos aqui para prometer tudo a todos. Estamos aqui para dizer o que defendemos, ouvir o que falta, propor o que pode ser feito — e trabalhar com liberdade e responsabilidade para melhorar a vida dos lousadenses.

Ser liberal, a nível local, não é defender o Estado ausente. É defender um município que faz bem o que lhe compete — com clareza, com eficiência e com respeito pelo dinheiro e tempo dos cidadãos. É exigir que os espaços públicos sejam geridos com regras transparentes. Que os apoios cheguem a quem precisa, com critérios. Que a burocracia não seja uma muralha. Que a habitação acessível se faça com incentivos à oferta e não apenas com promessas. Que os transportes funcionem sem precisar de cunhas ou milagres.

“Lousada com Futuro” é o nosso projeto político. Nasceu da convicção de que o concelho tem talento, força e vontade de fazer melhor. E de que o futuro não se constrói com fórmulas gastas, mas com ideias novas, abertura ao debate e soluções sólidas.
Propostas como uma rede inter-freguesias de mobilidade baseada em recursos locais e privados. Uma plataforma pública em tempo real com contratos e despesas do município. Uma política de habitação assente na reabilitação urbana, na cooperação com privados e no combate à especulação. Incentivos sérios à instalação de empresas e jovens empreendedores.
E, sobretudo, uma nova cultura política: mais próxima, mais exigente, mais transparente.

Queremos estar na Assembleia Municipal, sim. Mas sobretudo, queremos estar onde está a vida real: nas freguesias, nas associações, nas escolas, nos cafés, nas ruas. O futuro de Lousada não se constrói em gabinetes. Constrói-se com as pessoas — com quem trabalha, quem empreende, quem cuida, quem estuda, quem não desiste.

Lousada tem futuro. E esse futuro depende de nós.
Cabe-nos agora abrir caminho, construir pontes, ouvir mais e fazer melhor.

A mudança começa com liberdade. E a liberdade começa aqui.