Luís Neves

A 17 de Setembro do corrente ano, no longínquo Japão, Isaac Nader sagrava-se Campeão do Mundo dos 1500 metros, uma vitória tão brilhante como inesperada!

Mas será que existe alguma semelhança entre o Campeonato Mundo de atletismo e a corrida Presidencial? Qual o paralelismo entre Isaac Nader e Cotrim Figueiredo? Surpreendentemente, há mais pontos em comum do que imagina, ora vejamos:

Recuando alguns meses atrás, Cotrim como Nader, é por todos considerado o underdog desta corrida. Em nenhuma casa de apostas era apontado como favorito à vitória, pelo contrário, existia já um vencedor antecipado (por muitos vaticinado logo à 1ª volta), o Almirante Gouveia e Melo. Ora, antes do início da corrida Presidencial, para além do trabalho altamente meritório na guerra contra a Covid 19 (para o qual foi treinado toda a vida), pouco ou nada se lhe conhece. Entretanto é dado o tiro de partida e logo nos primeiros metros, já muitos desconfiam da capacidade física do Almirante para a vencer, para além de umas generalidades não se percebe qual a sua visão para transformar Portugal.

Na metade esquerda do pelotão, seguem os candidatos António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto, lutam pela sobrevivência, tentando aguentar o ritmo do pelotão e com um único foco em mente, não deixar fugir o seu eleitorado.

No extremo oposto do pelotão, segue um dos candidatos às medalhas – André Ventura, corre de forma ziguezagueante e com uma passada barulhenta, representa os revoltados, os descrentes de um país constantemente adiado e mesmo tratando-se de uma minoria, são eleitores que votam, pelo que devemos contar com ele para uma eventual segunda volta.

António Seguro e Marques Mendes são outros nomes apontados ao pódio, desde logo porque são apoiados pelos historicamente maiores partidos, são dois atletas experimentados, habituados a lidar com a imprensa, tentam agradar a tudo e a todos, gostam do que é bom e não gostam do que é mau, todavia são incapazes de assumir posição clara sobre coisa alguma.

Hoje, com a corrida perfeitamente lançada, Cotrim segue entre a 4ª e 5ª posição e tal como o atleta algarvio, tem uma estratégia clara para o desafio que se avizinha, com coragem diz ao que vem, demonstra uma visão moderna e transformadora para o País, não se refugia nas posições politicamente corretas (exemplo disso foi o facto de assumir publicamente que promulgaria a Reforma Laboral). Cotrim Figueiredo olha para o País como uma pista de Tartan, onde as curvas lentas são resultado da falta de reformas, de um Estado pesado e burocrático que inevitavelmente nos conduz para o final do pelotão europeu. Com o desenrolar da corrida, o seu ritmo é cada vez mais forte, o apoio na bancada também e neste momento, já é apontado como a grande surpresa desta corrida presidencial.

A reta final aproxima-se e tal como nos 1500 metros, este é o momento decisivo da corrida, apenas cinco atletas permanecem com hipóteses reais de vencer. Será que Cotrim Figueiredo, tal como Nader no Japão, conseguirá ultrapassar todos os adversários até à linha de meta? Eu consigo IMAGINAR e tu?